Atualidade

Alternativas ao polietilenoglicol

16 Fev. 2018 |

A preparação intestinal é um elemento-chave para a qualidade da colonoscopia, dela dependendo indicadores tão relevantes como a taxa de exames completos ou a taxa de deteção de pólipos, entre outros. O regime de preparação utilizado deverá garantir uma limpeza eficaz do cólon, de um modo seguro e bem tolerado. Os produtos disponíveis incluem as preparações de grande volume (3L ou 4L) de polietilenoglicol (PEG)-eletrólitos (soluções iso-osmolares, cuja ação depende do efeito mecânico de lavagem em função do volume administrado), o PEG-eletrólitos de baixo volume (2L) associado ao ácido ascórbico (laxante osmótico), a associação picossulfato de sódio-citrato de magnésio (laxante de contacto-laxante osmótico) e o fosfato mono-dissódico (laxante osmótico).

De uma forma geral, as meta-análises recentes indicam resultados equivalentes na eficácia dos vários produ­tos de limpeza intestinal disponíveis, quando cumpridos os protocolos de preparação intestinal recomendados, nomeadamente a administração em doses repartidas (“split dose”) e res­peitados os horários das tomas. As formulações convencionais de grande volume de PEG-eletrólitos poderão ainda ser vantajosas em doentes com alguns fatores de risco de preparação inadequada, em particular a história prévia de colonoscopia com prepara­ção deficiente.

No que diz respeito à segurança, as formulações convencionais de PEG­-eletrólitos apresentam o perfil mais favorável, por não produzirem um efeito osmótico, o que assegura a manutenção do volume plasmático e minimiza a ocorrência de distúrbios hidro-eletrolíticos, estes mais fre­quentes com a utilização dos laxantes osmóticos, ainda que de uma forma geral sem tradução clínica. Por este motivo, o PEG-eletrólitos deverá ser o produto de eleição em doentes com insuficiência renal em estadio 4 ou 5 (i.e. taxa de filtração glomerular <30mL/min/1,73m2), insuficiência cardíaca congestiva ou cirrose hepá­tica descompensada. O fosfato mono-dissódico pode associar-se à ocorrên­cia de hiperfosfatémia, com possibi­lidade de formação de depósitos de fosfato de cálcio nos túbulos renais (nefrocalcinose) e evolução para insu­ficiência renal crónica, estando a sua utilização praticamente abandonada neste contexto.

A tolerabilidade da preparação intestinal prescrita é também um aspeto fulcral, contribuindo para o cumpri­mento integral do regime proposto, condição indissociável da sua eficácia, bem como a adesão do doente aos exa­mes de seguimento prescritos futuramente. Neste particular, as vantagens do picossulfato de sódio-citrato de magnésio encontram-se amplamente documentadas na literatura, para tal contribuindo a sua melhor palatibilidade e menor volume (150+150mL), associado a menor incidência de náuseas, vómitos ou distensão abdominal.

De um modo geral, a escolha da pre­paração intestinal deve basear-se na eficácia, segurança e tolerabilidade dos produtos disponíveis, tendo em conta a preferência do doente e os seus antecedentes médicos, medicação em curso e, quando disponível, a qualidade da preparação obtida em exames prévios.

Artigo de opinião publicado em Jornal do Congresso Reunião Monotemática SPG 2018.

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