De uma forma geral, as meta-análises recentes indicam resultados equivalentes na eficácia dos vários produtos de limpeza intestinal disponíveis, quando cumpridos os protocolos de preparação intestinal recomendados, nomeadamente a administração em doses repartidas (“split dose”) e respeitados os horários das tomas. As formulações convencionais de grande volume de PEG-eletrólitos poderão ainda ser vantajosas em doentes com alguns fatores de risco de preparação inadequada, em particular a história prévia de colonoscopia com preparação deficiente.
No que diz respeito à segurança, as formulações convencionais de PEG-eletrólitos apresentam o perfil mais favorável, por não produzirem um efeito osmótico, o que assegura a manutenção do volume plasmático e minimiza a ocorrência de distúrbios hidro-eletrolíticos, estes mais frequentes com a utilização dos laxantes osmóticos, ainda que de uma forma geral sem tradução clínica. Por este motivo, o PEG-eletrólitos deverá ser o produto de eleição em doentes com insuficiência renal em estadio 4 ou 5 (i.e. taxa de filtração glomerular <30mL/min/1,73m2), insuficiência cardíaca congestiva ou cirrose hepática descompensada. O fosfato mono-dissódico pode associar-se à ocorrência de hiperfosfatémia, com possibilidade de formação de depósitos de fosfato de cálcio nos túbulos renais (nefrocalcinose) e evolução para insuficiência renal crónica, estando a sua utilização praticamente abandonada neste contexto.
A tolerabilidade da preparação intestinal prescrita é também um aspeto fulcral, contribuindo para o cumprimento integral do regime proposto, condição indissociável da sua eficácia, bem como a adesão do doente aos exames de seguimento prescritos futuramente. Neste particular, as vantagens do picossulfato de sódio-citrato de magnésio encontram-se amplamente documentadas na literatura, para tal contribuindo a sua melhor palatibilidade e menor volume (150+150mL), associado a menor incidência de náuseas, vómitos ou distensão abdominal.
De um modo geral, a escolha da preparação intestinal deve basear-se na eficácia, segurança e tolerabilidade dos produtos disponíveis, tendo em conta a preferência do doente e os seus antecedentes médicos, medicação em curso e, quando disponível, a qualidade da preparação obtida em exames prévios.
Artigo de opinião publicado em Jornal do Congresso Reunião Monotemática SPG 2018.
