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Atividade do gastrenterologista em plena pandemia: priorização, proximidade e proteção

16 Abr. 2020 |

“A nossa maior preocupação é manter o contacto com o doente, de forma a que nunca se sinta abandonado, tendo um contacto privilegiado com os clínicos e que, numa situação mais emergente, tenha a possibilidade de nos contactar”. Palavras do Prof. Doutor José Cotter, diretor do Serviço de Gastrenterologia do Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, sobre as “significativas” mudanças na prática clínica face à pandemia de COVID-19. Em entrevista, o especialista explica como é que o Serviço adaptou os seus cuidados de saúde, garantindo a segurança e o acompanhamento de todos os doentes. Veja o depoimento em vídeo.

Como explica o especialista, o médico gastrenterologista adaptou-se à realidade que atualmente atravessamos: “Começou-se a fazer grande parte da atividade por teleconferência e consultas telefónicas, mantendo-se apenas presencialmente as sessões de hospital de dia porque implicam a administração de fármacos ou alguns procedimentos terapêuticos inadiáveis”, refere. Além desses, são também priorizados “procedimentos endoscópicos de urgência”, ou seja, situações provenientes do próprio Serviço de Urgência, como hemorragias digestivas.

Portanto, tal como indica o Prof. Doutor José Cotter, “exames, que não tenham no ponto de vista clínico uma necessidade absoluta de serem realizados de uma forma urgente ou prioritária, estão a ser diferidos para uma data posterior, que ultrapasse este período pandémico”, diminuindo o risco de contágio destes doentes.

Neste sentido, assegura-se proteção aos doentes imunodeprimidos desta especialidade, que estão “suscetíveis ao contágio e de forma grave” e, por isso, o especialista aproveitou também para reforçar as recomendações emitidas pela Direção-Geral da Saúde (DGS), que devem ser “escrupulosamente seguidas”, especialmente por estes doentes que “devem estar com atenção redobrada a sinais de alarme ou novos sintomas”. Por essa razão, “a proximidade entre o gastrenterologista e os doentes é extraordinariamente útil, uma vez que o clínico poderá orientar, tratar ou tranquilizar o doente”.

Por fim, o gastrenterologista partilha uma mensagem de esperança pelos tempos que se avizinham. “Espero que os gastrenterologistas retomem a sua atividade normal, apelando ao que é importante discutir: assuntos que nos preocupam, como o rastreio do cancro do cólon e reto que deve ser, indiscutivelmente, realizado através da colonoscopia”, conclui.

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